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O monstro da organização interna

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Foi em 2016 que recebi seu chamado, a partir de uma indicação de amigos. E embora meu cartão e apresentação falassem de harmonização de ambientes em vários aspectos, era apenas organização o que ela desejava. Em princípio a organização de seu quarto + closet, banheiro da suíte e alguns armários próximos dali.

E assim foi, após a visita técnica, agendamos duas diárias de organização. Ela era uma senhora de meia idade, de perfil centralizador, destas que gosta de participar do trabalho full time. Então começamos juntas a organizar gavetas, gaveteiros, araras e armários. Não demorou muito para eu perceber que não conseguiria utilizar quase nada das técnicas aprendidas em Organização Profissional (dobras, separação por cores e tipos de peças etc.)

A cliente queria tudo do jeito dela e não o uso das metodologias utilizadas por personal organizers, ainda que isso estivesse muito bem descrito na proposta. Para não criar confusão, tive que ceder. Também não demorou muito para que ela começasse a sentir o “cansaço” decorrente de uma arrumação e não de uma organização como deve ser. Isso porque quando você não segue as regras adequadas a cada caso, acaba se perdendo no meio do caminho. Ex: organizar roupas antes de experimentar para ver se realmente lhe servem.

Estávamos um degrau acima do que já praticava sua empregada doméstica. E é isso que, infelizmente, muitos enxergam em uma personal organizer, uma empregada de luxo ou “gourmetizada”. Apesar disso, conseguimos encaminhar algumas doações, peças para a lavanderia, consertos e itens para a reciclagem. Também eliminamos remédios e cosméticos vencidos e conseguimos conferir um “ar mais organizado” ao ambiente.

E como nada é por acaso, na segunda diária, agendada para uma semana depois, já não estávamos mais juntas. Finalizei o trabalho sozinha, enquanto a cliente baixava hospital. Depois vim a saber que, a contar daquele momento, ela ficou doente por uns 5 meses. Sinceramente não acredito que seja mera coincidência, já que até então ela aparentava estar bem.

Ocorre que quando mexemos em acúmulos e diversos tipos de desordem externa, mexemos também com lembranças, memórias e emoções. Some-se a isso a dificuldade de doar, a necessidade de controlar e a inflexibilidade de aprender, características marcantes de tantas pessoas que conhecemos. Não sei que legado ou percepção deixamos a essa cliente, mas certamente ela nos deixou vários:

  • seja firme na visita técnica sobre metodologias a serem aplicadas
  • considere a possibilidade de recusar determinados trabalhos
  • repare como a desordem externa é apenas um reflexo de uma situação interna que precisa ser resolvida.
No mais é seguir adiante, que ainda temos muito trabalho pela frente e gente disposta a MUDAR!

 

 

 

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